Tumor maligno da laringe 

O carcinoma de laringe é uma das neoplasias malignas mais frequentes no sexo masculino, acometendo principalmente indivíduos entre a quinta e a sexta décadas de vida, embora a incidência em mulheres venha crescendo devido ao aumento do tabagismo. O tipo histológico predominante é o carcinoma epidermóide (95% dos casos), tendo o tabagismo como o principal fator de risco isolado, cujo efeito nocivo é significativamente potencializado pelo consumo crônico de álcool. Outros fatores de risco incluem a exposição ao asbesto, radiação prévia e predisposição genética. Antes do desenvolvimento do tumor, a mucosa agredida pode manifestar lesões pré-malignas como a leucoplasia, a hiperplasia e a queratose, sendo que a queratose com atipia (displasia) apresenta o maior risco de transformação maligna.

Anatomicamente, a laringe divide-se em supraglote, glote e subglote, sendo a região glótica a mais afetada (60%), seguida pela supraglótica (35%). As manifestações clínicas variam conforme a localização da lesão: o câncer glótico manifesta-se precocemente por disfonia ou rouquidão persistente, evoluindo para falta de ar em fases avançadas; já o supraglótico costuma ser assintomático no início ou provocar apenas sensação de corpo estranho na garganta, evoluindo tardiamente para dor de ouvido reflexa e dificuldade de engolir. O diagnóstico exige investigação em fumantes com rouquidão por mais de três semanas, utilizando a laringoscopia (indireta, direta, videoendoscopia ou microscopia) para a realização de biópsias, além de tomografia computadorizada e ressonância magnética para avaliar a extensão do tumor e o comprometimento dos linfonodos cervicais.

O tratamento do câncer de laringe baseia-se fundamentalmente em cirurgia e radioterapia. Nas lesões iniciais (estágios T1 e T2), ambas as modalidades apresentam taxas de controle local elevadas e semelhantes, permitindo que a escolha entre a radioterapia convencional e a microcirurgia endoscópica a laser seja discutida com o paciente, embora a invasão de estruturas como a comissura anterior possa favorecer a abordagem cirúrgica. Por outro lado, tumores em estágios avançados exigem tratamentos combinados e mais agressivos, como a laringectomia total (que resulta em traqueostomia definitiva), radioterapia externa e quimioterapia adjuvante. Como o prognóstico depende diretamente do tamanho da lesão e da presença de metástases no pescoço, o diagnóstico precoce e o acompanhamento por equipes multidisciplinares são determinantes para o sucesso da cura e da reabilitação do paciente.