Nódulos e massas cervicais

Os nódulos cervicais são definidos como lesões circunscritas de até 3 cm de diâmetro, enquanto as massas ultrapassam essa medida, sendo frequentemente mal delimitadas ou formadas por agrupamentos de nódulos. Ambas as condições se desenvolvem nos espaços anatômicos do pescoço — divididos em triângulos anterior e posterior —, os quais abrigam estruturas como as glândulas salivares, tireoide, laringe, vasos calibrosos e uma rica rede linfática. A probabilidade diagnóstica dessas lesões é fortemente influenciada pela faixa etária do paciente: na população pediátrica, predominam as causas congênitas e inflamatórias/infecciosas; em adultos, prevalecem as inflamatórias seguidas pelas congênitas; enquanto em idosos, as neoplasias malignas tornam-se a principal suspeita clínica.

A investigação diagnóstica exige uma anamnese minuciosa — avaliando o tempo de crescimento, presença de dor, sintomas sistêmicos (febre e emagrecimento), histórico familiar e hábitos como tabagismo e etilismo —, além de um exame físico que inclua a palpação cervical e a avaliação das mucosas da boca e da faringe. Os exames de imagem iniciam-se com a ultrassonografia cervical com Doppler (para avaliar a consistência e a vascularização do nódulo), complementada pela tomografia computadorizada para o estadiamento de tumores e planejamento cirúrgico, ou por ressonância e arteriografia em casos vasculares específicos. O exame subsidiário mais importante é a Punção Biópsia Aspirativa por Agulha Fina (PBAAF), que direciona a conduta por meio da análise citológica, evitando biópsias abertas precoces que poderiam violar o pescoço e comprometer tratamentos oncológicos definitivos.

O diagnóstico diferencial é classificado geograficamente entre lesões centrais e laterais. Na região central, destacam-se os cistos dermoides e tireoglossos (congênitos), além de afecções benignas e malignas da tireoide, paratireoide e laringe avançada. Na região lateral, que é a localização mais comum, encontram-se anomalias congênitas (cistos branquiais e linfangiomas), linfadenites infecciosas (virais, bacterianas ou granulomatosas como a tuberculose), sialoadenites e tumores de glândulas salivares ou de origem nervosa (schwanomas). Destaca-se, por fim, a alta incidência de adenomegalias metastáticas no pescoço, que representam a disseminação secundária de carcinomas do trato aerodigestivo superior ou de tumores infraclaviculares (pulmão e estômago), reforçando a necessidade de uma investigação minuciosa.