Câncer de tireoide
Embora os nódulos tireoidianos sejam altamente prevalentes na população adulta, apenas cerca de 5% deles são malignos. O câncer de tireoide é dividido em quatro tipos principais, cada um com comportamentos distintos: os carcinomas papilífero e folicular são os mais comuns, derivados do epitélio folicular e com prognósticos geralmente excelentes; o carcinoma medular origina-se das células C parafoliculares, podendo ser esporádico ou hereditário (ligado ao gene RET); e o carcinoma anaplásico, uma forma indiferenciada, rara e extremamente agressiva, que acomete pacientes mais idosos e possui alta letalidade. O desenvolvimento dessas neoplasias está fortemente associado a fatores como exposição à radiação, história familiar e predisposições genéticas específicas.
O diagnóstico e a avaliação desses tumores baseiam-se em exames clínicos, laboratoriais e de imagem. No carcinoma papilífero — o tipo mais frequente —, a manifestação clínica costuma ser um nódulo endurecido e indolor, cuja investigação exige ultrassonografia cervical e a Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF), considerada o padrão-ouro para o diagnóstico. No tipo folicular, contudo, a PAAF é pouco específica por apresentar um “padrão folicular” que exige confirmação cirúrgica histopatológica para diferenciar de lesões benignas. Já o carcinoma medular é monitorado clinicamente pelos níveis elevados de calcitonina e CEA no sangue, enquanto o anaplásico, devido ao seu crescimento rápido e invasivo, muitas vezes necessita de biópsia cirúrgica direta para confirmação diagnóstica.
O tratamento de escolha para a maioria dos cânceres de tireoide bem diferenciados é a tireoidectomia total, frequentemente associada ao esvaziamento das cadeias linfáticas cervicais de risco. No pós-operatório dos carcinomas papilífero e folicular, a terapia complementar envolve a ablação com iodo radioativo e a administração de levotiroxina em doses supressivas de TSH, além do monitoramento dos níveis de tireoglobulina para detectar recidivas. Para o carcinoma medular, a cirurgia completa imediata é a única opção eficaz, pois o tumor não responde ao iodo radioativo. Por fim, nos casos de carcinoma anaplásico ou tumores avançados e irressecáveis, o tratamento torna-se paliativo, combinando cirurgia redutora (quando viável), radioterapia externa e quimioterapia para o controle local da doença.